Enquanto o Congresso Nacional alarga e acelera os passos, conferindo primazia à proposta que legaliza os bingos e os caça-níqueis, uma questão fica no ar: a legalização de mais jogos de azar é benéfica, traz resultados positivos para o País?
Uma corrente, minoritária, do conjunto social, responde que não. O principal argumento é o de que o jogo esvazia o bolso de quem já não tem quase nada. Ou seja, quem menos tem é precisamente quem mais gasta com jogo, levado pela ânsia de se livrar da pobreza de uma hora para outra, acertando um número lotérico.
O raciocínio procede, mas impõe lembrar que não é o fechamento desse ou daquele jogo que vai mudar a atitude dos jogadores. Abrir novas opções de jogo só vai distribuir melhor a dinheirama canalizada para a jogatina em geral. Se não tem bingo nem caça-níquel, aposta-se no bicho, nas loterias, na tele-sena, nos sorteios estaduais do tipo Alagoas dá Sorte, e assim por diante.
A vantagem do bingo é que ele emprega mais e assim contribui com o combate ao desemprego. Além disso, ele voltará com tributação, o que vai melhorar a receita pública. O grande mal é manter qualquer modalidade de jogo na clandestinidade, isenta de imposto. Nesse sentido, vale questionar: por que não legalizar, também, o popular jogo-do-bicho? É frouxo o argumento de que ele financia o narcotráfico (notadamente no Rio de Janeiro e São Paulo). Se, de fato, financia, é justamente porque funciona na clandestinidade.
O “bicho” também emprega milhares de pessoas e poderia, uma vez legalizado, ampliar seu raio de abrangência e ainda gerar receita que poderia ser revertida em obras em benefício das populações mais carentes. O que parece um despropósito é fazer de conta que ele não existe já que é praticado abertamente em toda parte.
Aliás, talvez seja melhor, para os traficantes de armas e de drogas, manter o “bicho” à margem da lei. Assim, eles agem como querem, empregam quem querem, fazem o que bem entendem com o dinheiro e não pagam um único centavo de imposto. A indiferença oficial só lhes dá mais liberdade de ação, sem, no entanto, induzir uma só pessoa a evitar contato com os cambistas. E mais: se o “bicho” rende o que se diz por aí, quanto a União e os estados estão deixando de arrecadar sem fazer investimento nenhum?
Fonte: Primeira Edição
Escrito por Carla
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